Archive for julho \25\UTC 2011

Pertences dos entes queridos.

Quando nossos entes queridos “morrem”, será que há um tempo certo para se desfazer de seus pertences.

– Luiz, acho falta de respeito, ninguém vira santo de um dia para outro e o espírito, quando deixa o corpo fisico, busca, junto a ele, os apegos, as lembranças, as saudades. Não é justo o que fazem muitas pessoas: julgando ajudar, iniciam o inventário do “morto”; dão o chinelo para o fulano, o cobertor que ele tanto gostava para outro; enfim, vão-se desfazendo de tudo o que era dele. Alguém já parou para pensar o que se passa na cabeça e no coração do recém-desencarnado? Não basta a separação do corpo fisico e ainda a família o deserda?

– Então deve a família guardar tudo o que foi do desencarnado?

– Não, Luiz, não é guardar, mas conservá-los por uns seis meses, para depois começar a distribuí-los. Devemos lembrar que poucos desencarnados, ao deixarem o corpo fisico, sentem-se felizes e libertos. A grande maioria desencarna mal e leva para o mundo espiritual as lembranças e as saudades das suas coisas. Por que não dar um tempo para distribuir os seus pertences? Com esse gesto repentino de caridade, a família não salvará aquele que partiu, ao contrário, irá fazê-lo sofrer. Vemos viúvas desesperadas no cemitério, mas na mesma noite do enterro reviram os pertences do marido em busca de documentos com receio de não receberem a pensão. Abrem gavetas, mexem em pastas, sem qualquer respeito, só em busca do seguro, da poupança, enfim, mais preocupadas em não ficar na miséria.

 

– Mas em nosso país, se a família não abrir os olhos, a viúva fica até sem receber a pensão do marido!

-Não creio que no Brasil a família não possa esperar alguns dias para buscar os seus direitos. Tem de ser logo após o enterro? Acho que não. Isso, Luiz, é muito triste. O desencarnado, doente no mundo espiritual, necessitado de conforto, tamanha a saudade no seu coração, continua com seu perispírito muito ligado àqueles que conviveram com ele durante anos. O que não é justo é o desrespeito àquele que mudou de plano. Portanto, não é certo o que muitos vêm fazendo.

– Irmão, mas em muitas Casas Espíritas existem orientadores que mandam a família doar tudo, para a melhoria espiritual do desencarnado.

– Seria muito fácil se a família encarnada, quando tivesse um filho no erro, fosse aconselhada a doar tudo dele para receber a graça de vê-lo regenerado. Não, Luiz, não é assim. Para ajudar alguém que partiu, temos de buscar os abandonados da sociedade – os chamados pobres – e começar a nos preocupar com eles. E uma transformação lenta. Não é a doação de objetos que foram deixados que vai tornar caridosa a alma de quem fica. Os que assim pensam já demonstram falta de amor ao próximo. Muitas vezes esse doar prematuro traduz o desejo da família em mudar a decoração. Já vimos viúvas se desfazendo de tudo, desde as gravatas até as coleções do marido, consideradas como rivais. Esta irmã o estava ajudando? Claro que não. Estava, sim, levando-o ao desespero.

– Complicado, irmão. Muito complicado.

-Não, Luiz, complicada é a alma humana, porque tem apego às coisas da matéria.

 

Trecho do livro Na Hora do Adeus – pelo espirito Luiz Sérgio – psicografia de Irene Pacheco Machado (vale a pena ler).

Anúncios

CULTO À JUREMA

A minha amiga Fernanda Fernandes me perguntou sobre as entidades Juremeiras, se eu podia falar sobre elas. Este artigo é para satisfazer sua curiosidade sobre o assunto. Espero que goste.

 

O nome “Jurema” vem do tupi-guarani, onde Ju significa “espinho” e Remá, “cheiro ruim”.

A jurema é uma planta da família da leguminosas. Os frutos das plantas leguminosas são vagens. Existem várias espécies de jurema, como por exemplo: Jureminha, Jurema Branca, Jurema Preta, Jurema da Pedra e Jurema Mirim. A Jurema, também conhecida como Jurema-preta, também é nome de uma Bebida Sagrada feita com a raiz da árvore do mesmo nome (Mimosa hostilis). Os pajés, sacerdotes tupis, também fazem outra Bebida Sagrada da jurema-branca (Mimosa verrucosa), para estimular sonhos afrodisíacos. É um tipo de Bebida Sagrada servida em reuniões especiais.  Das raízes e raspas dos galhos, os feiticeiros e pajés, babalorixás, os mestres do catimbó, os pais-de-terreiro do candomblé de caboclo fazem uso abundante.  Sua substância ativa é o DMT (N-dimetiltriptamina). É utiliza tradicionalmente para fins medicinais e religiosos. Sua casca é usada para fins medicinais e a casca de sua raiz é a parte da planta usada nas cerimônias religiosas, pois possui maior parte dos alcalóides psicoativos.

Esta planta tem muita importância no culto espiritual dos caboclos e nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, tanto que dá nome a um culto chamado de “Culto à Jurema”.  A jurema é utilizada para tomar banho de descarga com suas folhas. Serve como defumador , cura de dor de dente, doenças sexualmente transmissíveis, insônia, nervos, dores de cabeça.

 

“A Jurema mostra o mundo inteiro a quem bebe: Vê-se o céu aberto, cujo fundo é inteiramente vermelho; vê-se a morada luminosa de Deus; vê-se o campo de flores onde habitam as almas dos índios mortos, separada das almas dos outros. Ao fundo vê-se uma serra azul; vêem-se as aves do campo de flores: beija-flores, sofrês e sabiás. À sua entrada estão os rochedos que se entrechocam esmagando as almas dos maus quando estas querem passar entre eles. Vê-se como o sol passa por debaixo da terra. Vê-se também a ave do trovão, que é desta altura (um metro). Seus olhos são como as da arara, suas penas são vermelhas e no alto da sua cabeça ela traz um enorme penacho. Abrindo e fechando este penacho, ela produz o raio e, quando corre para lá e para cá, o trovão.”

 A JUREMA é uma árvore (Mimosa Nigra Hu ) que floresce no agreste e na caatinga nordestina; da casca de seu tronco e de suas raízes se faz uma bebida que alimenta e dá força aos encantados do “outro-mundo”. É também essa bebida que permite aos homens entrar em contato com o mundo espiritual e os seres que lá residem. Tal árvore se constitui enquanto símbolo mágico-sagrado e é núcleo de várias práticas mágico-religiosas de origem ameríndia. De fato, entre os diversos povos indígenas que habitaram ou habitam o nordeste, se fazia e em alguns deles ainda se faz uso ritual desta bebida.

 Contudo, este culto este se difundiu dos Sertões e Agrestes nordestino em direção às grandes cidades do litoral, onde elementos das outras matrizes étnicas entraram em cena. Desse modo, o símbolo da árvore que liga o mundo terreno ao além e, embora amargo, dá sapiência aos que dela se alimentam, ganha novos significados, surgindo um mito com traços cristãos. Neste sentido, a Jurema surge como a árvore que escondeu a sagrada família, dos soldados de Herodes, durante a fuga para o Egito, ganhando desde então suas propriedades mágico-religiosas.

 A jurema é um pau sagrado / Onde Jesus descansou / Que dá força e “ciência” /Ao bom mestre curador.

A bebida feita com a entrecasca do caule ou raiz da Jurema e outras ervas de “ciência” (Junça, Angico, Jucá, entre outras) acrescidas à aguardente, é, entretanto, a maior fonte de força e “ciência”, para estas entidades.

 São dois tipos de jurema: a preta (Mimosa hostilis benth) e a branca (Vitex agmus castus). Além do preparo da bebida sagrada, ambos os tipos são também empregados para o preparo de banhos, remédios e defumadores, utilizados com  fins mágico-terapêuticos “a fim de curar os males físicos e espirituais” (ASSUNÇÃO, 2006, p. 19).

 O CATIMBÓ

 A Jurema é uma árvore que floresce no agreste e na caatinga nordestina; da casca de seu tronco e de suas raízes se faz uma bebida mágico-sagrada que alimenta e dá força aos encantados do “outro-mundo”. É também essa bebida que permite aos homens entrar em contato com o mundo espiritual e os seres que lá residem.

 O Catimbó, envolve como padrão a ingestão da bebida feita com partes da Jurema, o uso ritual do tabaco, o transe de possessões de seres encantados, além da crença  em um mundo espiritual onde as entidades residem.

 Para seus adeptos, o mundo espiritual tem o nome de Juremá  e é composto por reinados, cidades e aldeias. Nestes Reinos e Cidades residem os encantados: os Mestres e os Caboclos. “Cada aldeia tem três ‘mestres’. Doze aldeias fazem um Reino com 36 ‘mestres’. No reino há cidades, serras, florestas, rios. Quanto são os Reinos? Sete, segundo uns. Vajucá, Tigre, Candindé, Urubá, Juremal, Fundo do Mar, e Josafá. Ou cinco, ensinam outros. Vajucá, Juremal, Tanema, Urubá e Josafá”.

 Troncos da planta são assentados em recipientes de barro e simbolizam as cidades dos principais mestres das casas. Estes troncos, juntamente com as princesas e príncipes, com imagens de santos católicos e de espíritos afro-ameríndios, maracas e cachimbos, constituirão as Mesas de Jurema. Chama-se Mesa o altar junto ao qual são consultados os espíritos e onde são oferecidas as obrigações que a eles se deva.

 As princesas são vasilhas redondas de vidro ou de louça dentro das quais são preparadas a bebida sagrada e, em ocasiões especiais, onde são oferecidos alimentos ou bebidas aos encantados. Os príncipes são taças ou copos, que normalmente estão cheios com água e eventualmente com alguma bebida do agrado da entidade.

 Os Habitantes do Juremá

 Duas categorias de entidades espirituais tem seus assentamentos nas mesas de Jurema, os Caboclos e os Mestres.

Os Caboclos são identificados como entidades indígenas que trabalham principalmente com a cura através do conhecimento das ervas, dão passes e realizam benzeduras com ervas e folhagens. São associados às correntes espirituais mais elevadas, as que trabalham para o bem, mas que também podem ser perigosas quando usados contra alguém. Por isso são muito temidos.

Uma outra categoria de entidades que recebem culto na Jurema é a dos Mestres. Os mestres são descritos como espíritos curadores de descendência escrava ou mestiça. Pessoas que, quando em vida, possuíam  conhecimento de ervas e plantas curativas. Por outro lado, algo trágico teria acontecido e eles teriam morrido, se “encantando”, podendo assim voltar para “acudir” os que ficaram “neste vale de lágrimas”. Alguns deles se iniciaram nos mistérios e “ciência” da Jurema antes de morrer. Outros adquiriram esse conhecimento no momento da morte, pelo fato desta ter acontecido próximo a um espécime da árvore sagrada.

 O símbolo dos mestres é o cachimbo ou “marca”, cujo poder está na fumaça que tanto mata como cura, dependendo se a fumaçada é “às esquerdas” ou “às direitas”. Essa relação com a “magia da fumaça” é expressa nos assentamentos dos mestres, onde sempre se encontra presente “rodias” de fumo de rolo, nos cachimbos e nas toadas.

 As marcas são gravadas nos cachimbos, e indicam as vitórias alcançadas pelo mestre que o usa. Quando em terra, os mestres já chegam embriagados e falando embolado. São brincalhões, falam palavrões, mas são respeitados por todos. Dançam tendo como base o ritmo dos Ilus e a letra das toadas. Como oferendas, recebem a cachaça, o fumo, alimentos preparados com crustáceos e moluscos diversos. Com essas iguarias, agrada-se e fortifica-se os mestres. A bebida feita com a entrecasca do caule ou raiz da Jurema e outras ervas de “ciência” (Junça, Angico, Jucá, entre outras) acrescidas à aguardente, é, entretanto, a maior fonte de força e “ciência”, para estas entidades.

Também trabalham no Catimbó as Mestras. Tais mestras são peritas nos “assuntos do coração”, são elas que dão conselhos as moças e rapazes que queiram casar-se, que realizam as amarrações amorosas, que fazem e desfazem casamentos.

 Juremação

 Muitos juremeiros dizem que “um bom mestre já nasce feito”; contudo alguns ritos são utilizados para “fortificar as correntes” e dar mais conhecimento mágico-espiritual aos discípulos. O ritual mais simples, porem de “muita ciência” é o conhecido como “juremação”, “implantação da semente”, ou “Ciência da Jurema”. Este ritual consiste em plantar no corpo do discípulo, por baixo de sua pele, uma semente da árvore sagrada. Existem três procedimentos para isso. Em um primeiro, o próprio mestre promete ao discípulo e após algum tempo, misteriosamente, surge a semente em uma parte qualquer do corpo. Um segundo procedimento é aquele em que o líder religioso realiza um ritual especial, onde dá a seus afilhados a semente e o vinho de Jurema para beber. Após este rito, o iniciante deve abster-se de relações sexuais por sete dias consecutivos, período em que todas as noites ele deverá ser levado em sonhos, por seus guias espirituais, para conhecer as cidades e aldeias onde aqueles residem. Ao final deste período, a semente ingerida deverá reaparecer em baixo de sua pele. Num terceiro procedimento, o juremeiro implanta a semente da Jurema, através de um corte realizado na pele do braço.

 Reuniões e Festas

 Uma “Mesa” pode ser aberta “pelas direitas” ou “pelas esquerdas”. Nas abertas “pelas direitas”, só as entidades mais elevadas devem se fazer presentes. Incorporadas elas dão passes, receitam banhos de ervas e defumações.

Quando se abre uma mesa “pelas esquerdas” qualquer tipo de entidade espiritual pode vir. Os trabalhos não precisam, necessariamente, visar o mal de alguém, contudo, aberto os trabalhos por este lado da “ciência”, já é possível devolver aos inúmeros inimigos, que estão sempre a espreita, os males que estes possam estar fazendo.

Orações e saudações feitas, canta-se para abrir a “mesa” e chamar os guias. Em algumas casas estes dão sua presença, afirmando que protegerão seus discípulos durante a realização dos trabalhos. Subindo o último Índio ou Caboclo, é o momento de todos, exceto o juremeiro-mor, se prostrarem de joelhos no chão e pedir ao Juremá licença para entrar em seus domínios; é que os “Senhores Mestres” já vem chegando…

Os discípulos pedem benção aos Juremeiros mais velhos na casa. Saúdam com benzenções a Mesa da Jurema e os artefatos dos Mestres. A Jurema é dita aberta. Os Senhores Mestres começam a chegar.

É o momento das consultas que sempre têm clientela certa. Momento onde coisas sérias são tratadas com irreverência, sem que no entanto percam a gravidade e o apresso dos  mestres e mestras, sempre prontos a ajudar a seus afilhados. Nos casos mais graves, entretanto, o mestre logo marca um dia mais conveniente, onde poderá realizar “trabalhos em particular”. É assim que o mestre, traz os recursos financeiros necessários para a manutenção da casa de culto e do seu discípulo. Quando os Mestres se vão, chegam as Mestras.

 Ramificações da Jurema:

Segundo José Francisco Miguel Henriques Bairrão, da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Ribeirão Preto – USP a Jurema possui muitas ramificações, veja texto adaptado por mim para melhor compreensão popular:

 Jurema é uma árvore. A sua identificação botânica, permanece relativamente indefinida. Pertence aos gêneros Mimosa, Acácia e Pithecellobium (Sangirardi Jr, 1983, citado por Grünewald, 1999a), existem outras denominações populares de várias árvores de Jurema (Preta, Branca, Vermelha, etc.).

 Jurema é uma bebida. Extraídas de partes especificas da arvore de Jurema, nem sempre as mesmas (as mais referidas são a Mimosa tenuiflora e a Mimosa verrucosa), obtém-se um líquido de uso religioso e medicinal. As fórmulas do seu preparo, os tecidos vegetais utilizados e as dosagens, assim como a combinação com outros ingredientes, são variáveis. O segredo do preparo da bebida de Jurema Sagrada tem uma variação de um Mestre Juremeiro para outro.

 Jurema é uma cerimônia religiosa (diversamente celebrada por índios ou caboclos) , aonde os bebem a Jurema Sagrada e comungam a bebida. Às vezes distinguida como uma religião específica no complexo cenário da espiritualidade brasileira, mais comumente o culto da Jurema apresenta-se difuso em práticas religiosas nas quais pode ter um papel mais ou menos central: Pajelança, Toré, Catimbó, Umbanda, Candomblé de Caboclo, Nago etc.

 Jurema é uma “entidade” espiritual que se manifesta no transe de adeptos dessas religiões. Ou uma classe, um tipo de “entidades”, havendo muitas Juremas. A Jurema que se manifesta nesses cultos pode caracterizar-se de maneira bastante variada em diferentes práticas e em diversos núcleos da mesma religião. Às vezes, a sua caracterização pode ser diversa no mesmo núcleo, ou até mesmo Juremas diversas podem incorporar na mesma médium.

 Jurema também pode ser o local de culto e oração: a mesa da Jurema Catimbo ou o “congá” Umbandista. Alguns Candomblés principalmente o de Caboclo e Nagô, tem um canto reservado para a pratica da Jurema Catimbó.

 Jurema é o “mundo espiritual” de onde provêm os encantados (espíritos muito evoluídos, que não fazem mais parte do proscesso de reencarnação) que se manifestam nas sessões.

 Jurema é o “plano espiritual” dos espíritos cultuados na difusa “espiritualidade brasileira”, que se apresentam como índios.

 Jurema é uma índia metafísica. Atende pelo nome de Jurema uma apresentação antropomórfica do sagrado florestal. Em rituais, convivem, a bebida e a “cabocla” do mesmo nome. Una ou duas?

Jurema pode ser uma “linha”. A “linha” das “caboclas de Oxossi” (antropomorfoses femininas de epifanias florestais, “encantos da mata”). É uma e múltiplas.   A linha da Jurema pode não se restringir à “falange” de “espíritos da mata femininos”. Há “espíritos masculinos” que são juremeiros.

Não obstante sertaneja e planta, a Jurema é hoje associada a caboclas da água e especialmente do mar (conforme o som “juremar” e a significância da cor comum ao oceano e à mata).

Jurema é um objeto. Pintura ou estatueta de uma índia, com traços que podem variar – as suas apresentações icônicas estão longe de serem tratadas como meras representações – na prática ritual, podendo receber a atenção, cuidado e respeito devidos à própria “realidade”.

Mas a sua imagem não necessariamente se corporifica em objeto material. Pode ser aparição objetivamente percebida por “videntes”, com a mesma qualidade da percepção de uma pessoa comum, como pode igualmente surgir como uma “imagem mental” parecida com as cenas oníricas, dela se distinguindo por acontecer em vigília e por outros sinais que variam bastante de informante para informante (eventos concomitantes como cantos de pássaros ou vôos de borboletas, nitidez da imagem, “avisos” e “confirmações” etc.).

 Jurema é uma cidade. A cidade da Jurema, uma cidade do Além. Mas muito concretamente a cidade da Jurema pode consistir numa coleção de copos e taças com diversas bebidas que, com fins rituais, se assentam na “mesa da Jurema”; bem como pode ser uma juremeira (árvore) ou um juremal.

Jurema é a mata. A cidade da Jurema pode alargar-se do juremal à totalidade e variedade da floresta, no seu conjunto.  Jurema é um tronco (de juremeira). Um galho que ritualmente marca um ponto de sacralidade no lugar do culto. Mas o tronco do juremal também é o lugar de onde vêm os caboclos e mestres do seu culto, o que é literalmente verdadeiro: mais do que uma figura de linguagem, a Jurema ingerida comumente é preparada a partir da casca do tronco (ou da casca da raiz).

 Nos pontos, reitera-se assiduamente que a Jurema é um “lugar” de onde se vem ou para onde se vai. Vários pontos cantados o expressam, preservando uma ambigüidade significativa do outro como eu: Eu venho de longe, do tronco do juremal. Quem vem? O caboclo índio étnico? O praticante do culto que realiza o ritual? O “guia” que “incorpora”? O Outro ou eu? Como a Jurema poderia representar-se, se se indetermina o sujeito relativamente ao qual ela se objetivaria? Essas árvores, troncos e espiritualidade também são um sinal diacrítico da identidade étnica indígena. A Jurema é um traço significante que delimita o “ser” índio. No século XX, a perpetuação do seu culto (depois de meio milênio de perseguições) passou a ser um modo de reconhecer a etnia e processos de aculturação se inverteram em processos de etnogênese. Não apenas o Serviço de Proteção ao Índio (antecessor da FUNAI) o adotou como critério de reconhecimento de comunidades indígenas (o que paradoxalmente incentivou a preservação ou reinvenção do uso, a fabricação de tradições), como remanescentes de tribos indígenas competem entre si para se demarcar do culto caboclo e para preservar o segredo e afiançar a fidelidade dos seus ritos à origem, assegurando-se uma “pureza” étnica (Grünewald, 1999b).

 Quimicamente, a Jurema (Mimosa tenuiflora) apresenta um alcalóide da família dos alucinógenos indólicos (Carlini & Masur, 1989; Graeff, 1984). Mas a dimensão de sacralidade do seu consumo passa ao largo da descrição bioquímica dos seus efeitos e ambas são incompatíveis e verdadeiras à sua maneira. Por um lado, nem sempre as dosagens e os modos de consumo ritual que “abrem os encantos” seriam capazes de explicar as alterações de consciência por eles provocados. Por outro, quando se examina a Jurema por uma perspectiva estritamente simbólica, descobre-se que os pretensos símbolos universais nela envolvidos são realmente significáveis a partir de procedimentos muito particulares e de ações rituais, neurofisiologicamente eficientes.

 Historicamente, o uso indígena da Jurema não foi meramente ritual e religioso. Perseguida pela piedade romana enquanto meio de cura, a Jurema foi tolerada quando ingerida em ocasiões de guerra (Andrade & Anthony, 1998). Os juremeiros são também guerreiros, histórica e miticamente falando e, certamente, não é à toa que, na sua versão antropomórfica, a Jurema possa se fazer acompanhar de flecha e bodoque.

 Mesmo entre as comunidades indígenas que a empregam diacriticamente como seu distintivo, a “pureza” étnica professada manifesta-se sincreticamente. A palavra anjucá significaria “anjo cá” e o vinho da Jurema seria o verdadeiro sangue de Cristo, pois quando foi derramado teria sido guardado junto a um pé de Jurema (Grünewald, 1999a).

Bastide (1945/2001) relata que os poderes associados à Jurema e que a distinguem das outras árvores são atribuídos pelos catimbozeiros ao fato de a Virgem, na fuga para o Egito, ter escondido o menino Jesus numa juremeira. A árvore “guarda” a Sagrada Família (Brandão & Rios, 2001) e, entre as mais importantes “falanges de espíritos” que a acompanham, incluem-se os caboclos do Rei Salomão (Carlini, 1993).

 A Pajelança Jurema Nativa possui um conhecimento e uma tradição Milenar, segundo o Natavo Taki Cacique Pajé da Tribo Kariri Xoco, os seus ancestrais possuem esta cultura e religião, esta crença acompanha seu povo a milenios.

fonte:  Laila Cavalcante Rosa -monografia, religião.  
Alberto Junior  – Mestre Juremeiro, Babalorixa, Xamã e Terapeuta Holístico.

UM POUCO SOBRE ORIXÁS E SIGNOS

OS ORIXÁS E O SEU SIGNO

Os Orixás, esses fascinantes Deuses africanos, governam um ou mais signos. Isso significa que todo nós temos um orixá que nos guia em nossa vidas.

Existem três  tipos de orixás presentes em nossa Vida.

  • o de frente ou de cabeça, que corresponde ao signo solar:
  • o ajuntó, que é o nosso ascendente;
  • e o de herança, associado ao signo lunar.

Mais fácil é conhecer o Orixá de frente. Porém, é bom dar atenção para um detalhe: as múltiplas manifestações de um mesmo Orixá.

É importante observar, porém, que essa influência é genérica. Cada ser humano é único e há vários fatores que moldam seu caráter, entre os quais o genético e o ambiente familiar.

Oxalá, por exemplo, que rege Capricórnio, ora aparece como um jovem brincalhão e sensual (Oxaguiã), ora como um ancião sereno e generoso (Oalufã). Isso e mais a influência do ajuntó e do orixá de herança explicam o jeito diferente de ser de pessoas do mesmo signo.

Apesar de existirem mais de 100 orixás, para efeito de associação com os signos, somente 16 deles ganham importância porque apresentam características semelhantes às dos planetas e estrelas do céu astral e também por causa de sua ligação com os quatro elementos básicos da natureza Fogo (Ogum, Iansã e Xangô), Ar (Oxumaré, Logum-Edé e Exu), Água (Oxum, Obá, Nanã e Iemanjá) e Terra (Oxóssi, Ossâim, Euá, Oxalá, Iroko e Omulu ou Obaluaê).

Para saber qual o seu Orixá Protetor, veja em que decanato você nasceu.

Exemplo: Se nasceu a 20 de Agosto, sob o signo Leão, então o seu Orixá Protetor é: Ogum, porque pertence ao 3 decanato do Signo.

Exemplo: Se nasceu a 10 de Agosto, sob o signo Leão, então o seu Orixá Protetor é: Xangô , porque pertence ao 2 decanato do Signo.

Exemplo: Se nasceu a 26 de Agosto, sob o signo Leão, então o seu Orixá Protetor é: Oxalá , porque pertence ao 1 decanato do Signo.

Signo Leão:  de 24 Julho a 23 de Agosto.

23 de Julho a 1 de Agosto – 1 Decanato

2 de Agosto a 11 de Agosto – 2 Decanato

12 de Agosto a 22 de Agosto – 3 Decanato

 

Para os filhos de Carneiro nascidos de 22 de Março a 20 de Abril.

Orixá Protetor: 1º Decanato: Ogum-2º Decanato :Oxalá – 3º Decanato: Xangô

Numerologia: 1 – Elemento: Fogo       Regência astrológica de: Marte

Para os filhos de Touro nascidos de 21 de Abril a 21 de Maio.

Orixá Protetor 1º Decanato: Oxossi – 2º Decanato :Ibeiji – 3º Decanato: Obaluaiê

Numerologia: 2- Elemento: Terra           Regência astrológica de: Vénus

Para os filhos de Gêmeos nascidos de 22 de Maio a 21 de Junho.

Orixá Protetor 1º Decanato: Ibeiji – 2º Decanato: Oxossi – 3º Decanato: Obaluaiê

Numerologia: 3 – Elemento: Ar         Regência astrológica de: Mercúrio

Para os filhos de Caranguejo nascidos de 22 de Junho a 23 de Julho.

Orixá Protetor 1º Decanato: Yemanjá – 2º Decanato: Ogum – 3º Decanato: Xangô

Numerologia: 4 – Elemento: Agua       Regência astrológica de: Lua

Para os filhos de Leão nascidos de 24 Julho a 23 de Agosto.

Orixá Protetor: 1º Decanato: Oxalá – 2º Decanato: Xangô – 3º Decanato: Ogum

Numerologia: 5 – Elemento: Fogo     Regência astrológica de: Sol

Para os filhos de Virgem nascidos de 24 de Agosto a 23 de Setembro.

Orixá Protetor: 1º Decanato: Ibeiji – 2º Decanato: Obaluaiê – 3º Decanato: Oxossi

Numerologia: 6 – Elemento: Terra      Regência astrológica de: Mercúrio

Para os filhos de Balança nascidos de 24 de Setembro a 23 de Outubro.

Orixá Protetor 1º Decanato: Oxossi – 2º Decanato: Obaluaiê – 3º Decanato: Ibeiji

Numerologia: 7 – Elemento: Ar    Regência astrológica de: Vénus

Para os filhos de Escorpião nascidos de 24 de Outubro a 22 de Novembro.

Orixá Protetor 1º Decanato: Ogum – 2º Decanato: Xangô – 3º Decanato: Yemanjá

Numerologia: 8 – Elemento: Agua          Regência astrológica de: Plutão

Para os filhos de Sagitário nascidos de 23 de Novembro a 22 de Dezembro.

Orixá Protetor: 1º Decanato: Xangô – 2º Decanato: Ogum – 3º Decanato: Oxalá

Numerologia: 9 – Elemento: Fogo      Regência astrológica de: Júpiter

Para os filhos de Capricórnio nascidos de 23 de Dezembro a 20 de Janeiro.

Orixá Protetor: 1º Decanato: Obaluaiê – 2º Decanato: Oxossi – 3º Decanato: Ibeiji

Numerologia: 10 – Elemento: Terra        Regência astrológica de: Saturno

Para os filhos de Aquário de 21 de Janeiro a 19 de Fevereiro.

Orixá Protetor 1º Decanato: Obaluaiê – 2º Decanato: Ibeiji – 3º Decanato: Oxossi

Numerologia: 11 – Elemento: Ar      Regência astrológica de: Urano

Para os filhos de Peixes de 20 de Fevereiro a 21 de Março.

Orixá Protetor: 1º Decanato: Xangô – 2º Decanato: Yemanjá – 3º Decanato: Ogum

Numerologia: 22 – 0 – Elemento: Agua      Regência astrológica de: Neptuno

REGÊNCIA DOS ORIXÁS EM CADA SIGNO

 Oxum – Rege Touro e Libra. É o Orixá da fertilidade e da riqueza, símbolo também da sexualidade e, por isso, está associado ao signo de Touro. É ainda vaidoso, diplomata, tem muita ambição social, o que o aproxima das características do signo de Libra. Corresponde ao planeta Vênus.

Obaluaê – Rege Escorpião e Capricórnio. É o Orixá das mortes e das doenças. Insondável, tem grande força mental e é vingativo, peculiaridades dos escorpianos. Por vezes, porém, é austero e melancólico. Tem problemas de pele e de ossos – coisas típicas dos capricornianos. Corresponde ao planeta Saturno.

Ossâim – Rege Virgem e Gêmeos. É o Orixá das ervas medicinais e está intimamente ligado à natureza. É crítico, meticuloso, o que o aproxima do signo de Virgem. Mas é também mutável, inquieto, irônico e superinventivo que são qualidades dos geminianos. Corresponde ao planeta Mercúrio.

Xangô – Rege Leão e Sagitário. Autoritário, dominador, é um líder nato, guerreiro difícil de ser derrotado, caraterísticas dos nativos de Leão. Simboliza ainda a lei e a justiça. É sociável e aproveita o melhor da vida, o que o associa ao signo de Sagitário. Corresponde ao planeta Júpiter.

Iemanjá e Nanã – Regem Câncer. São os Orixás maternos. Protegem, dominam e amam seus filhos à toda prova. Iemanjá é fértil, sensual e muito preguiçosa. Nanã é a a avó, que gosta de ser adulada, é dengosa e se magoa com facilidade. Um perfeito retrato dos cancerianos. Correspondem à Lua.

Oxóssi – Rege Virgem, Capricórnio e Aquário. É o protetor das matas. Tem o espírito matemático e o humor instável de um virginiano. Mas é também bastante sério e responsável – coisas dos capricornianos. Apresenta ainda todo o exotismo e originalidade de Aquário. Corresponde ao planetas Saturno e Mercúrio.

Ogum – Rege Áries. É o orixá da guerra, que luta por sua liberdade e independência. Ativo, está sempre procurando alguma coisa para fazer ou alguém para brincar. É um tanto egoísta, instável e emotivo ao extremo. Por tudo isso está ligado ao signo de Áries. Corresponde ao planeta Marte.

Iansã – Rege Leão, Sagitário e Aquário. Senhora dos ventos, é alegre, sociável, mas temperamental, como os leoninos. É aventureira, atrevida, impulsiva, diz o que quer e quando quer e assim se parece com Sagitário. Mas tem também o desprendimento dos aquarianos. Corresponde aos planetas Urano e Júpiter.

Oxumaré e Logum-Edé – Regem Gêmeos. São orixás bissexuais. Oxumaré é o arco-íris e seu temperamento é instável, varia de acordo com as circunstâncias. Logum-Edé é bom negociante, astuto, nem sempre honesto. Essas qualidades o aproxima do signo de Gêmeos. Correspondem ao planeta Mercúrio.

Exu – Rege Gêmeos e Escorpião. É um orixá comunicativo, brincalhão, cheio de truques – facetas encontradas no nativos de Gêmeos. Mas é também violento e associado à energia sexual. Possui algo que fascina e ao mesmo tempo repele, características dos escorpianos. Corresponde ao planeta Plutão.

Oxalá – Rege Capricórnio, Peixes e Touro. É o grande pai, o pilar da família e da sociedade. Nisso, assemelha-se a Capricórnio. É também um sábio, um curandeiro. É sensível à bebida e a outros vícios, o que o liga a Peixes. Sua analogia com Touro vem de sua sensibilidade. Corresponde aos planetas Vênus e Plutão.

Obá – Rege Escorpião e Touro. É o Orixá das angústias, do sofrimento e da desilusão amorosa, mas também do espírito de luta, o que lembra Escorpião. É também bom companheiro, superleal, e, às vezes, age com ingenuidade, o que o associa a Touro. Corresponde ao planeta Saturno.

Euá – Rege Virgem. É o Orixá que representa a faixa branca do arco-íris. Mantém analogia com a pureza e a castidade. É ainda cismado, crítico feroz de si mesmo e dos outros, o que o relaciona com o signo de Virgem. Mas é também um guerreiro nato e, por essa razão, corresponde ao planeta Marte.

Iroko – Rege Touro, Aquário e Libra. É o Orixá da obstinação e dos desejos materiais – qualidades dos nativos de Touro. Representa o TEMPO “O tempo dá, o tempo tira, o tempo passa e a folha vira” muitas coisas se modificam ou podemos nos modificar. Sua relação com Aquário vem do individualismo, do seu desinteresse pelos problemas alheios. É ainda associado a Libra, pela sua versatilidade. Corresponde ao planeta Vênus.

 

SAUDAÇÕES, CORES E OS DIAS DA SEMANA PARA CADA ORIXÁ

Oxalá – O orixá maior

Saudação: EPA BABÁ! (grande admiração pela honrosa presença)

Cores: Branco – Dia da semana: Domingo

Omolu/Obaluaiê – O orixá da medicina, deus da varíola

Saudação: Atotô! (ele está entre nós)

Cores: marrom, cor palha – Dia da semana: Segunda-feira

Exu – Mensageiro dos orixás

Saudação: Laroiyê Exu! (saudação amiga a Exu)

Cores: vermelho e preto – Dia da semana: Segunda-feira

Ogum – O orixá da guerra, é também ferreiro

Saudação: Ogunhê! Patakori Ogum! (salve o senhor da guerra)

Cores: azul, vermelho – Dia da semana: Terça-feira

Oxumarê – O orixá da riqueza representado pelo arco-íris e pela cobra

Saudação: Aro boboi! (aquele que vai da terra ao infinito)

Cores: amarelo e verde – Dia da semana: Terça-feira

Iansã – Senhora dos ventos e tempestades

Saudação: Eparrê Iansã! (salve a senhora dos ventos)

Cores: alaranjado e dourado – Dia da semana: Quarta-feira

Xangô – Senhor da justiça

Saudação: Kawô Kabiecile! (longa vida ao rei)

Cores: vermelho, marrom – Dia da semana: Quarta-feira

Oiá – orixá dos ventos e redemoinhos

Saudação: Eparrê Oiá! (saudação ao majestoso vento de Oiá)

Cores: rosa, coral – Dia da semana: Quarta-feira

Oxóssi – O orixá da caça e rei das matas

Saudação: Okê arô! (salve o grande caçador)

Cores: verde, azul – Dia da semana: Quinta-feira

Ossaim – O orixá das plantas

Saudação: Euê ô! (salve o senhor das folhas)

Cores: verde, branco com lista vermelha – Dia da semana: Quinta-feira

Oxaguiã/Oxalufã – O orixá maior

Saudação: EPA BABÁ ! (grande admiração pela honrosa presença)

Cores: Branco – Dia da semana: Sexta-feira

Oxum – Orixá do amor, da fertilidade e maternidade

Saudação: Ora iê iê mãe! (salve a senhora dos rios)

Cores: amarelo – Dia da semana: Sábado

Iemanjá – Deusa do mar

Saudação: Odô iá! (salve a mãe de todas as águas)

Cores: prata e branco – Dia da semana: Sábado

Nanã Buruku – a mais velha dos orixás, deusa da morte

Saudação: Saluba Nanã! (a mãe primitiva de todos os Orixás)

Cores: lilás, roxo – Dia da semana: Sábado

 

O ORIXÁ DE CADA DIA DA SEMANA

Domingo

As pessoas nascidas nesse dia regido por Oxalá são audaciosas, revolucionárias e incansáveis. Estão sempre querendo criar coisas novas ou melhorar o que já existe. Mas também herdam desse orixá o equilíbrio, a serenidade e o desejo de levar uma vida tranqüila.

Segunda-feira

As pessoas nascidas nesse dia regido por Exu, o mensageiro, são alegres, boêmias e sensuais. Donas de um caráter nobre, costumam se mostrar amigáveis. Mas, caso sofram uma injustiça, não conseguem deixar de pensar em vingança.

Terça-feira

As pessoas nascidas nesse dia regido por Ogum, o orixá da guerra e do progresso tecnológico, detestam a rotina e são irrequietas. Estão sempre lutando por mudanças no ambiente de trabalho, na política e na vida pessoal. Geralmente, conseguem grandes conquistas. Mas precisam combater a tendência de impor suas opiniões aos outros.

Quarta-feira

As pessoas nascidas nesse dia regido por Iansã, a senhora dos raios, adoram curtir as mais loucas paixões. Vivem num clima de sedução e conquista, seguindo seus próprio desejos, sem medo das consequências. Ousadas, correm todos os riscos e enfrentam todos os perigos para realizar suas tarefas e alcançar os objetivos a que se propõem.

Quinta-feira

As pessoas nascidas nesse dia regido por Oxóssi, a divindade das matas, são introvertidas e discretas. Sabem exprimir suas opiniões, mas jamais tentam impô-las. Simplesmente esperam que as outras pessoas reconheçam que elas tinham razão. Isso tudo lhes conferem muito charme e um ar de nobreza.

Sexta-feira

As pessoas nascidas nesse dia regido por Oxaguiã, a manifestação jovem de Oxalá, são orgulhosas e não gostam de meio-termo. Para elas, é sempre tudo ou nada. Por isso, oscilam entre uma tristeza profunda e uma alegria sem limites, entre o ódio e o amor. Mas, à medida que amadurecem, ganham características do equilibrado Oxalá.

Sábado

As pessoas nascidas nesse dia regido por Iemanjá, a rainha do mar e mãe de vários orixás, ficam furiosas quando sentem ciúme ou se julgam vítimas de uma ingratidão. O mais comum, porém, é estarem sempre em boa maré, protegendo os amigos e, se for o caso, os filhos. Seus sábios conselhos são frutos de grande capacidade de observação.

 

CURIOSIDADES SOBRE OS ORIXÁS

 

Iansã, a guerreira
Elemento natural: raios, ventos e relâmpagos
Cores: alaranjado, branco e vermelho
Dia da semana: quarta-feira
Sincretismo: Santa Bárbara

Iemanjá, a grande mãe
Elemento natural: água do mar e dos grandes rios
Cores: branco, azul e verde-claro
Dia da semana:  sábado
Sincretismo: Nossa Senhora da Conceição

Omulu, o curador
Elemento natural: terra e subsolos
Cores: preto, branco e vermelho
Dia da semana:  segunda-feira
Sincretismo: São Lázaro e São Roque

Ogum, o lutador
Elemento natural: ferro forjado
Cor: azul
Dia da semana: terça-feira
Sincretismo: Santo Antônio e São Jorge

Oxóssi, o caçador
Elemento natural: matas e florestas
Cores: verde e azul turquesa
Dia da semana:  quinta-feira
Sincretismo: São Jorge e São Sebastião

Oxum, a sedutora
Elemento natural: rios, lagos e cachoeiras
Cores: amarelo e dourado
Dia da semana:  sábado
Sincretismo: Nossa Senhora das Candeias

Xangô, o justiceiro
Elemento natural: rochas, raios e trovões
Cores: vermelho, marrom e branco
Dia da semana:  quarta-feira
Sincretismo: São Jerônimo e São João

Oxalá, o pai
Elemento natural: ar
Cor: branco
Dia da semana: sexta-feira
Sincretismo: Jesus Cristo

Exu, o mensageiro
Elemento natural: minérios de ferro
Cores: preto e vermelho
Dia da semana: segunda-feira
Sincretismo: diabo*
* A associação deste orixá ao diabo é equivocada. Por não ter nenhum santo na religião católica com o qual se identificasse, e por seu forte caráter sexual e materialista, o Exu foi relacionado ao demônio.

Fontes: web:http://www.reporternet.jor.br; Umbanda de todos nós – W.W da Matta e Silva; Umbanda Pé no Chão – Ramatis/Norberto Peixot

CONHECENDO EXU E POMBA-GIRA

O EXU

Primeiramente há que se dizer que a forma original de Exu é humana, nada tem de partes de animais, porque os espíritos que compõe a falange de Exu são espíritos como nós. Então Exu tem dois braços, duas pernas, uma cabeça, dois olhos, enfim… São assim como nós. Foram homens e mulheres normais das mais variadas profissões. Não tem nada a ver com as imagens vendidas nas casas de artigos religiosos, com chifrinhos e rabos… Exu não é o Diabo. Exu é entidade de luz (em evolução) com profundo conhecimento das leis magísticas e de todos os caminhos e trilhas do Astral Inferior. Na umbanda, os Exus trabalham em busca da evolução e da prática do bem, portanto ao contrário dos mitos envolto ao “Diabo” ou “Demônio”, os Compadres (Exus) trabalham para resolver os assuntos imediatos, mas nunca prejudicando alguém. Por mais humano que Exu se manifeste e se expresse, devemos sempre ter educação e respeito para nos dirigirmos mentalmente ou pessoalmente a qualquer um deles, pois são senhores Guias Espirituais que trabalham para Deus e os Divinos Orixás com caridade, responsabilidade e muitas vezes a nossa frente para nos defender e proteger de demandas e embates astrais negativos. O exu não é a figura grotesca, horrendas como mostram algumas estatuetas mal interpretadas. Na Umbanda, como ser humano, é idêntico a todos nós; mas sendo espírito desencarnado pode ser visto por sensitivos ou médiuns videntes ou aparece; materializado, tomando a forma que lhe convier: feia ou simpática, inclusive a de um homem viril, musculoso e bonito. Sua imagem com chifres e rabos é herança de sua identificação com o Satanás. E simplesmente um condicionamento proveniente de outras religiões. Não existe isso de que Exu tanto faz o mal como o bem e que depende de quem pede. Isso simplesmente não tem lógica. Como o Orixá iria “colocar” Exu como Guardião se ele não fosse confiável? Se ele se “vendesse” por um despacho, por cachaça, bichos, velas e outros absurdos que vemos nas encruzilhadas?

Se até uma criança sabe o que é “certo” e o que é “errado” Exu não vai saber? Exu não é idiota.    

Talvez por sua semelhança conosco, os encarnados, estas entidades transmitam uma imagem de companheiros, de amigos dos mais chegados. Os Exus nas Giras de Umbanda apreciam uma boa bebida, um bom fumo, e uma conversa regada a boas gargalhadas. Se deliciam com uma penosa (frango assado) e uma boa farofa no dendê. Os Exus conversam com seus consulentes com igualdade, são atualizados, pois nos acompanham lado-a-lado. Por esse motivo têm a facilidade de resolver os assuntos “urgentes”, coisas que necessitam de solução imediata. O papel dos Exus é mais atuante do que se pensa. Além de serem mensageiros dos Caboclos e/ou Pretos-Velhos (depende de quem for o guia chefe do médium), ainda possuem uma destacada atuação junto a nós, pois são executores kármicos. O que exatamente isto quer dizer? Quer dizer que se nós andarmos na linha justa, se nos habituarmos a cultivar pensamentos, sentimentos e atitudes equilibradas nosso karma será certamente reduzido ao longo da vida, e nosso amigo Exu nos ajudará em tudo. Mas, se caso assim não procedermos certamente esse mesmo amigo Exu entrará em ação, efetuando a cobrança kármica para conosco mesmos, sempre em nome da Lei Cósmica Divina. Temos que ter em mente que estes amigos nada fazem por si só. Executam ordens de seus “chefes”, ou seja, nossos mentores espirituais. No trabalho do médium de Umbanda um desses Exus é o de frente. Exu é aquele que dá consulta e se coloca a serviço do Guia Chefe do médium. Exu tem mais luz que podemos supor, mas por amor ao Divino Criador e aos Amados Orixás serve à Luz nos campos trevosos, em combate a todos que blasfemam ou que atuam contra as Leis Divinas; Exu oculta sua luz pra poder entrar nos campos negativos em socorro ou combate; Exu verbaliza de forma humana para bem ser entendido por nós; Exu conhece e respeita as Leis Divinas, as Linhas de Trabalho e todos os médiuns que assim merecem ser tratados. Quando em função do trabalho que irá executar ou da “batalha” que irá travar Exu estuda o ambiente que irá entrar, em seguida vibrando numa faixa bem acima do meio que irá adentrar, estuda os seus “adversários”, suas intenções, seus planos, seus graus de compreensão, seus medos, etc. Estabelece uma estratégia e assume a configuração que irá atingir o ponto fraco da maioria do grupo que irá combater. Lembrando que Exu não trabalha sozinho, isso é feito em agrupamentos sob a supervisão direta de um enviado de Orixá. Com isto vemos outra capacidade de Exu, vibrar em faixas diferentes de energia.

E detalhe importantíssimo: tudo isso sem a necessidade de sacrifícios de animais e despachos em encruzilhadas, porque quem “recebe” tudo isso é kiumba! Lembrando ainda que isso dentro do Ritual de Umbanda!

Os  guardiões são os espíritos responsáveis pela disciplina e pela ordem no ambiente. Os Exus são trabalhadores que se fazem respeitar pelo caráter forte e pelas vibrações que emitem naturalmente. Eles se encontram em tarefa de auxílio. Conhecem profundamente certas regiões do submundo astral e são temidos pela sua rigidez e disciplina. Formam, por assim dizer, a nossa força de defesa, pois lidamos, em um número imenso de vezes, com entidades perversas, espíritos de baixa vibração e verdadeiros marginais do mundo astral, que só reconhecem a força das vibrações elementares, de um magnetismo vigoroso, e personalidade forte que se impõem. Essa é  a atividade dos guardiões. Sem eles, talvez, as cidades estivessem à mercê de tropas de espíritos vândalos ou nossas atividades estivessem seriamente comprometidas. São respeitados e trabalham à sua maneira para auxiliar quanto possam. São temidos no submundo astral, porque se especializaram na manutenção da disciplina por várias e várias encarnações. A reunião de Exú ou Gira de Exu tem como finalidade descarregar os médiuns e os consulentes. Unindo suas energias eles são capazes de entrar em contato e orientar mais facilmente as almas que ainda não encontraram um caminho. Estas almas vivem entre os encarnados, prejudicando-os, obsidiando-os e até mesmo trazendo-lhes um desequilíbrio tão grande que são considerados loucos. Para este trabalho eles necessitam muito de nosso equilíbrio e de nossa energia. Nosso equilíbrio é utilizado por eles no momento em que as entidades sofredoras se manifestarem com ódio, rancor, raiva, para que tenhamos bons pensamentos e sentirmos verdadeiro amor e harmonia para que desta maneira tocamos seus sentimentos mais puros e não as deixemos tomar conta da situação e, quem sabe, até as persuadir a mudarem de caminho libertando-se assim do encarnado ao qual está ligada; nossa energia é utilizada em casos em que estas almas estão sofrendo com o desencarne, tristes, com dores, humilhadas, desorientadas, assim eles transformam as nossas energias em fluidos balsâmicos que as ajudam, em muito, na sua recuperação. Muitas destas almas desorientadas não conseguem nem se aproximar dos Terreiros de Umbanda pois os Exús da Tronqueira ficam encarregados de fazerem uma triagem liberando a passagem apenas das almas que eles percebem já estarem prontas para o socorro, ou seja, prontas para seguirem um novo caminho longe do encarnado ao qual estava apegada. Este trabalho de separação é feito por eles com muito empenho e seriedade e será melhor sucedido se o encarnado der continuidade ao mesmo, pelo menos melhorando os seus pensamentos e se livrando da negatividade e do medo. Os Exús são almas que riem, fazem troça, mas não brincam em serviço. Por este motivo, gostaríamos que todos, não só os médiuns, tivessem por eles o maior respeito e consideração, pois são eles os nossos guardiões e, também, da sessão de Gira, reponsabilizando-se pela limpeza dos fluidos ou energias mais pesadas. Cada pessoa que entra em uma casa de Umbanda traz consigo seu saco de lixo cheio (são seus pensamentos, suas raivas, suas desilusões…) e são os Exús os trabalhadores encarregados de juntarem todos estes sacos para descarregar, dando a cada um de nós a oportunidade de diminuirmos o nosso lixo e facilitando nossas próximas limpezas. Cada vitória nossa é para estas Almas trabalhadoras um passo no caminho do desenvolvimento.   Nas sessões ritualísticas umbandistas, dificilmente um dirigente de terreiro tem força suficiente para desmanchar um trabalho de macumba, usando apenas o seu guia (ou orixá, como queiram). Mesmo porque cada qual tem seu campo de ação limitado. O preto-velho, o caboclo, por exemplo, não descem às camadas vibratórias mais densas com a finalidade de demandar com o exu, assim como o engenheiro não vai preparar argamassa ou carregar tijolos para a construção do edificio. Este o motivo pelo qual, consultamos o preto-velho ou o caboclo, percebendo tratar-se de caso pesado de magia negra, alegam ser coisa para o “compadre” resolver. Que chamem o exu da casa. Logo, cada um tem atribuições próprias dentro da área vibratória que lhe corresponde. Em alguns casos, pode o caboclo, o preto velho desmanchar trabalhos de Quimbanda, embora não seja o normal.   Aos Exus de trabalho podemos pedir ajuda na solução de problemas e ajuda a outras pessoas, sempre conscientes do nosso e do merecimento alheio, sempre sob as Leis de Deus. Ao Exu Guardião devemos pedir somente auxílio nas questões pessoais, no sentido de amparo, sustentação, proteção e condução na linha reta evolutiva. A todos devemos sempre ter respeito, tratando-os com reverência, pela alcunha de senhores.

É necessário entender que na Umbanda não há matança de animal e nem trabalho de amarração. Não fazemos trabalhos para trazer a pessoa em “X” dias de volta. Fuja correndo de quem cobra por consultas ou trabalhos. Na Umbanda não existe nenhum tipo de cobrança. Lembre-se sempre: a Umbanda é Caridade!
 

A POMBA-GIRA

A Pomba-Gira é uma entidade espiritual de psiquismo feminino, pertencente, tanto às linhas da Umbanda como da Quimbanda. E um exu mulher. Era invocada na Idade Média com o nome de Klepoth, como também é conhecida no Ocultismo.  As Pomba-Giras adoram dançar, na maioria das vezes usam roupas coloridas, extravagantes, geralmente em tons de vermelho e preto, apreciam um bom cigarro, Champagne (em uma bela taça, lógico), a maioria delas se utilizam de rosas vermelhas em suas magias, são vaidosas, sensuais, e extremamente ligadas ao amor. Ajudam nas situações mal resolvidas do coração, que é fator predominante para se viver bem.   Recebe seus presentes nas encruzilhadas em forma de “T”. Sua cor é o vermelho vivo, tanto nas velas como nas roupas e guias (colares). Adora rosas vermelhas, cor de sangue, roupas elegantes, jóias e perfumes caríssimos. A Pomba-Gira comanda 7 falanges compostas de 7 legiões de exus mulheres, cada uma das quais toma diversas identificações: Maria Padilha, Maria Molambo, Sete Saias, Sedutora, Pomba-Gira Menina, da Praia, das Almas, das Matas, etc. Algumas até adotando nomes curiosos pitorescos, como “Assanhada”, “Sirigaita”, “Provocante”, “Adúltera” e outros.  As moças, também chamadas assim de forma carinhosa por todos nós filhos de Umbanda, geralmente se manifestam na Gira dos Exus, pois são elas as companheiras dos Compadres. Cada uma do seu jeito, mas sempre com a beleza e a sensualidade estampadas em seus trejeitos. Assim são as moças, alegres, belas, e profundas conhecedoras do coração. Exu e Pomba Gira quando incorporados em seus médiuns, podem se apresentar de duas maneiras básicas: alegres ou sérios. Mas mesmo na alegria não há desrespeito ou comportamentos inadequados a um templo religioso.  Exu e Pomba Gira são espíritos em busca de evolução e compromissados com a espiritualidade superior. Agora, o que tem de obsessor que se faz passar por Exu e Pomba Gira não está no gibi! E a culpa é de quem? Dos médiuns invigilantes e trapaceiros! Que usam a sua mediunidade a serviço do astral inferior!   São esses absurdos que fizeram com que a Umbanda e os Exus e Pomba Giras fossem tão detestados por outras religiões! Cada filho de Umbanda tem seu Exu individual e sua Pomba Gira. Cada um dos Orixás, com seus correspondentes padrões vibratórios, possui seus Exus.  Vale ressaltar que a Gira de Exus e Pomba-giras são das mais concorridas pela assistência de Umbanda.

 Agora já podemos começar a mudar nossos conceitos de Exú e Pomba Gira. Então, vamos ver os Exús como aqueles lixeiros alegres que passam pelas ruas recolhendo toda a “sujeira”. Vêm com brincadeiras e algazarras, mas fazem um trabalho enorme em benefício da sociedade, que diga-se de passagem é muito pouco reconhecido. E as Pomba-giras seriam as “margaridas” mulheres que trabalham também na limpeza das ruas de nossa cidade, exercendo a sua profissão com presteza e determinação. Assim como devemos ter um conceito mais respeitoso do Exú, devemos também dedicar mais respeito aos trabalhos das Pombas Giras, deixando de encará-las como mulheres vulgares e da vida, que só vêm “para arranjar casamento” ou o que é pior, para desfazer casamentos… Isto é uma coisa absurda e vulgar… O trabalho da Pomba Gira é sério. É também um trabalho de descarrego, de limpeza, de união entre as pessoas. De abertura dos caminhos da vida, seja do ponto de vista material, mental ou espiritual.

Esses lixos são:   – Nossos pensamentos e atos negativos.  – A sociedade desigual, perversa e preconceituosa.  – Nossas emoções negativas e egoísta se sobrepondo a nossa capacidade de amar.

Por isso devemos respeitar ao máximo o trabalho dos Exús, levando-os a sério e não os desrespeitando e nem os menosprezando.  

Fonte:  Os Exus – J. Edson Orphanake; Os Orixás Umbanda – José Luiz Lipiani; Tambores de Angola – Robson Pinheiro; Os Exus – Sociedade Espiritualista Mata Virgem.